quinta-feira, 1 de maio de 2008

Escrito não terminado nº2

O que se faz quando as pessoas passam a incomodar? Não o incomodar como perturbar, mas o incomodar que sufoca, que traz agonia, sofrimento. O que se faz, então? Como agir quando se sente que não pertence ao seu próprio habitat natural? Quando, por assim dizer, se adquire consciência da massa e de seu próprio papel e também do papel da massa em si, indivíduos disformes, agindo como autômatos, apenas seguindo suas próprias rotinas pessoais e egoístas, ocorre por muitas vezes uma certa diferenciação. Se o ser humando só existe em sociedade, o que nos tornamos quando não nos sentimos parte da mesma? Seríamos considerados párias, excluídos do chamado "mundo real" construído por mentes sem rostos, sem identidade, formadas por instintos irracionais, não animais, mas instintos humanos, consumismo, depredação, trapaça, competição selvagem, sexo desmotivado. Mas talvez a questão que permanece não é se seríamos excluídos, mas sim se teríamos tanto desejo quanto condição de viver nessa realidade, de readaptar-nos a uma existência vazia sem significado, motivo ou propósito.

novembro/2006

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