quinta-feira, 1 de maio de 2008

E aqui estamos, uma vez mais

A maior pergunta a ser feita talvez não seja "como encarar a página em branco", mas sim como encarar a si mesmo. a página à sua frente não é nada mais do que a representação física do desafio que você é a si mesmo. Todas as dúvidas e certezas se misturam num momento de pura ansiedade, o instante em que tudo aquilo existente em seu imaginário pessoal converge em algo compreensível para alguém que não você. O ato de escrever pode ser descrito como uma terapia, uma arte, um trabalho ou uma fuga, mas nada a explica melhor do que seus próprios resultados. Nada o define melhor do que tudo aquilo que você mesmo gerou, ou será que o gerado foi você? Como saber que tudo que se coloca em uma página em branco não seja talvez a mais pura realidade, enquanto tudo aquilo que você crê verdadeiro não passe de uma mera ilusão? Poderia o escritor em si ser apenas o resultado do desespero de suas próprias criações, apenas um eco criado pela reverberação extrema de uma imaginação descontrolada? Nós podemos não ser nós mesmos, ou não apenas nós mesmos e sim vários "nós" ao mesmo tempo, como quem amarra os dois extremos da linha do tempo, unindo-as numa conclusão ilógica, de que na verdade tudo aquilo que se escreve é criação e criador, somos nós tanto quanto são eles, personagens no anseio de uma história a ser vivida pelas mãos de um gênio atormentado,e uma história a ser contada pela razão ilógica do ser humano que vive na tênue separação entre o irreal e o material...

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